“A garota que tinha medo”, uma história que poderia ser a sua

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Há um tempinho atrás, fui contactada pelo Breno Melo, autor do livro “A garota que tinha medo“, pois tinha a ideia de me mandar sua obra como cortesia. Ainda não tinha ouvido falar dela, mas ao me passar a página da Chiado Editora, com a sinopse, já percebi que iria gostar muito de ler aquela história.

E não teve erro! Assim que recebi, comecei a leitura no mesmo dia e fui até a metade do livro, quase sem levantar do meu cantinho nenhuma vez. (Aí, eu levei um tapa na cara da minha consciência, já que tenho concurso daqui uma semana e tinha dado uma pausa meio longa demais nos estudos…)

“Marina é uma jovem que faz tratamento para a Síndrome do Pânico. Às voltas com o ingresso na universidade, um novo romance e novas experiências, Marina tem seu primeiro ataque de pânico. Sua vida vira de cabeça para baixo no momento mais inapropriado possível, e então, psiquiatras e psicólogos entram em cena. Acompanhamos suas idas ao psiquiatra e ao psicólogo, o tratamento farmacológico e a psicoterapia. Ao mesmo tempo, conhecemos detalhes de sua vida amorosa e sexual, universitária e profissional, social e familiar na medida em que elas são marcadas pela síndrome. Um tema atual. Uma excelente obra tanto para conhecimento do quadro clínico como entretenimento, narrada com maestria e de uma sensibilidade notável”

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Marina começa sua narrativa da forma mais simples: se apresentando. E então, começa a contar sua história… Mora com os pais e o irmão, e, sempre pressionada pela mãe, estuda até não poder mais. Conhece Júlio pela internet e depois de um tempo, engatam num namoro. Passa na universidade e relata sua vida acadêmica – e às vezes, nem tão acadêmica assim: trote, festas, “cantadas” de veteranos, drogas,…

Ela conta também que mantém um blog literário, gosta de tirar fotos, e diz às vezes enxergar aquilo que ninguém vê.

O caso é que ela nunca se enxergou como uma pessoa normal. “Queria ser como os outros seres humanos, mas o fato é que eu não era. Sempre fui estranha, e um dia isso ficou claro como a água. Primeiro minha personalidade e depois a síndrome do pânico cavaram um abismo entre mim e as pessoas que eu conhecia. Deixei de me identificar com elas e suspeito que elas também tenham deixado de me ver como uma semelhante.”

O transtorno de ansiedade de Marina se manifestou nas piores situações, todas elas narradas com detalhes e muita sensibilidade. Sua história nos convida a adentrar o universo de uma pessoa que sofre com o Transtorno de Pânico, que, apesar de aparentemente distante do nosso, o grau de identificação com a personagem atenta para a realidade. E essa realidade é que, num mundo cheio de informações em que temos que correr contra o tempo, qualquer pessoa pode estar sujeita a desenvolver qualquer tipo de transtorno. E Marina é como eu, como você: uma garota “comum”, que frequenta as aulas na universidade, que acha seu irmão meio “besta”, que encontra refúgio em seu blog e nas redes sociais, que vai à igreja e procura se apoiar em Deus nos momentos de dificuldade. E que, subitamente, sem qualquer motivo explícito, pode ser tomada por uma sensação de medo arrebatadora, chegando ao ponto de ver como ameaça pessoas e lugares conhecidos.

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Eu gostei bastante da leitura, ela é de fácil compreensão e flui naturalmente. Chega até a ser confortável, pois, como já falei anteriormente, a identificação com a personagem Marina como uma garota que tem vontades, sonhos, hobbies e também ansiedades e medos, dá aquele ar de estar lendo uma carta que uma amiga lhe escreveu. Uma amiga verdadeira e de longa data, que por motivo que um afastamento qualquer, resolveu lhe mandar uma carta e contar como tem sido a vida durante os últimos anos.

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É fácil conhecer Marina. E interessantíssimo ouvir sobre sua condição, sobre o que ela passou, a negação inicial de que havia alguma coisa errada, mas aquele fundinho de consciência que dizia que nem tudo estava indo bem. Breno consegue explicitar o desenvolvimento de um transtorno de uma forma linda e respeitosa, colocando uma perspectiva totalmente diferente ao descrever um ataque de pânico, deixando perceptível o crescimento da frequência com que eles aconteciam até a personagem finalmente procurar profissionais para lhe ajudarem. E então, você vê que ela sofre um crescimento psicológico fantástico – com o auxílio do psiquiatra e da psicóloga – mas essencialmente, a partir do momento em que se deixou ser ajudada, ao se abrir para o autoconhecimento. Claro que por mais bonita que a narrativa seja, ela não deixa a desejar ao tratar das dificuldades – e que dificuldades! – enfrentadas por Marina no decorrer do livro. Realmente, essa obra veio no momento certo, visto que minha última resenha foi sobre O Holocausto Brasileiro (recomendo a leitura, principalmente pra quem tem interesse na área de Saúde Mental).

Quanto ao aspecto físico do livro, que é simples, tem uma diagramação básica, mas que ajuda para que a leitura seja fácil, sem interrupções. Foi usado um papel leve (o que, para mim, é perfeito, já que carrego meus livros pra tudo quanto é lugar). Outra coisa que me prendeu a atenção nele, e me fez começar a leitura com um sorriso no rosto, foi esse pequeno texto no início:

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A garota que tinha medo | Breno Melo | Chiado Editora | ISBN: 978-989-51-2331-5

Achei gracinha ^^

E vocês, o que acharam? Se interessaram tanto quanto eu?

“A garota que tinha medo” ainda não está nas livrarias brasileiras, mas já deu pra ter um gostinho, né?!

Beijos! *:

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16 comentários sobre ““A garota que tinha medo”, uma história que poderia ser a sua

  1. Esse livro parece interessante.Amo ler livros com conteúdo mais “real” ,tô cansada já desse mundo de ficção cheio de bruxas e doendes
    Amei a resenha!
    Você escreve muito bem:)
    Reflexoesdaminhamentedoida.blogspot.com

    1. Obrigada! Eu também me canso de alguns temas que ficam muito tempo “na moda”!
      Mas depois desse ainda não decidi qual será minha próxima leitura, já que to estudando pra concurso, queria um daqueles romances bem água com açúcar mesmo! haha
      Beijos! *:

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