Assisti: “O Jogo da Imitação”

Sendo um dos indicados ao Oscar desse ano, “O Jogo da Imitação” não deixa a desejar. Assisti no sábado e é aquele tipo de filme que te deixa pensando nas questões abordadas mesmo muito tempo depois da tela do cinema ter se apagado.

Com uma personalidade estilo Sheldon um tanto quanto excêntrica, Alan Turing é um matemático e criptoanalista de 27 anos que faz parte de uma equipe montada pelo governo britânico com o intuito de quebrar o “inquebrável” Enigma, código utilizado pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial.

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Tem uma história baseada no livro: “Alan Turing: The Enigma” (de Andrew Hodges), que conta sobre o homem que é considerado o pai da computação moderna. Mas além da face profissional, também pode-se conhecer o lado pessoal de Turing, repleto de desafios e segredos.

Uma mente brilhante, mas que está emocionalmente estagnada no período de sua adolescência, que parece ver nesse projeto uma possibilidade de vivenciar sentimentos passados. Isso tudo sob uma personalidade explícita lógica e calculista; que, justamente por essas características, acabou salvando milhares de vidas durante a Grande Guerra.

Outros aspectos apresentados durante o filme também são importantes ao pensar na história: o período que naturalmente já causava uma pressão e estresse a todos; a incredulidade de seu superior frente a criação da máquina por ele idealizada; a lenta conquista da confiança e compreensão da sua equipe; uma mulher – essencial na equipe também – trabalhando num setor administrativo, que era mais aceito socialmente do que estar somente entre homens num trabalho extremamente intelectual; e, por último, mas não menos importante, a homossexualidade do personagem, numa época em que essa possibilidade era ilegal, fazendo com que ele fosse condenado a passar pela castração química.

Considero que a arte é tão multifacetada que cada pessoa que é “atingida” por ela passa por sentimentos e tem interpretações diferentes frente à uma mesma coisa.

Dessa forma, depois de ter visto o filme, o que mais despertou em mim foi o pensamento: como as pessoas conseguem ser tão intolerantes a ponto de dispensar tudo aquilo que um ser humano é, em detrimento de um único aspecto que elas consideram negativo?

Toda a questão envolvida durante a Segunda Guerra Mundial torna isso muito evidente, e o filme transmite esse pensamento também em relação a Alan Turing, que foi o maior responsável por encurtar a guerra, poupando tantas vidas. Anos após a derrota alemã, ele é pego por “obscenidade”, e então, por determinação jurídica, sujeito a um dos tratamentos mais desumanos que existem.

Há algumas contradições ao comparar a realidade e a obra cinematográfica. Sua biografia realmente sofreu uma adaptação de forma a ficar mais atraente para o público, mas acredito que isso foi bom para a compreensão da construção do personagem do “Jogo da Imitação” (não do Alan Turing verdadeiro, até porque não sabia de nada sobre ele antes de ver o filme). Independente disso, a obra não perde a genialidade ao retratar uma história que ficou por décadas escondida.

Vejam o trailer pra ter uma ideia melhor (:

Alguém já assistiu e ficou com a mesma impressão que eu?

Beijos!Assinatura

 

 

 

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9 comentários sobre “Assisti: “O Jogo da Imitação”

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