Resenha “A arma escarlate”

Faz algum tempo que tomei conhecimento sobre esta obra, e, depois de saber um pouco sobre a história, já percebi que iria querer ler.

Entretanto, estava num período de jejum de compras :D ainda estou, na verdade, desde que me toquei da quantidade de livros que eu tenho e ainda não li…

Enfim… No final do ano passado, a Renata Ventura estava fazendo uma ação de venda de “A arma escarlate” e “A comissão chapeleira”, suas obras, em que o lucro seria entregue à UNICEF. Achei uma boa oportunidade para quebrar meu jejum (;

Assim que comecei a ler, já me encantei por se tratar do universo bruxo. E não, não é uma tentativa de “copiar” Harry Potter, justamente pelo fato de ele ser narrado no mesmo universo, mas no Brasil!

“Em uma entrevista com J.K. Rowling (…), um fã norte-americano lhe perguntou se ela algum dia escreveria um livro sobre uma escola de bruxaria nos Estados Unidos. Ela respondeu que não, ‘…mas fique à vontade para escrever o seu.’

Sentindo-me autorizada pela própria Sra. Rowling, resolvi aceitar o desafio: Como seria uma escola de bruxaria no Brasil? Especificamente para este primeiro livro, como seria uma escola de bruxaria no Rio de Janeiro? Certamente não tão completa, nem tão perfeita, quanto uma escola britânica. Talvez ocorressem algumas falcatruas aqui, outras maracutaias ali… certamente trabalhariam nela alguns professores geniais, porém mal pagos.”

(Nota da autora)

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E com essa premissa, conhecemos Idá, ou melhor, Hugo Escarlate, um menino carioca que mora no morro. Vem de família pobre, seu pai o abandonou e mora com a mãe e a avó em um contêiner, moradia supostamente temporária, prometida pela prefeitura.

A princípio, um personagem comum, mas com uma (grande) diferença. Ao contrário de muitos que continuam esperando, Hugo recebeu a carta. Aquela que mudaria sua vida para sempre.

Assim, descobrimos junto com ele como entrar no Corcovado, onde a escola de bruxaria fica. Lá, ele conhece diversos outros alunos e professores, de diferentes estados brasileiros. Alguns se tornam seus amigos; outros, nem tanto.

Distraído com todas as novidades, e, principalmente com a trama entre o Conselho (que tenta controlar tudo de uma forma rigorosa e procura aplicar muitos métodos e disciplinas europeus numa realidade bem diferente da Europa) e os Pixies (grupo de alunos “revolucionários”, que vive a vida escolar de forma a fazer com que os outros repensem suas atitudes e contestem as autoridades, quando necessário), Hugo praticamente se esquece de sua vida na favela.

Mas as férias vieram com tudo para lembrá-lo. Caiçara, agora chefe do tráfico, descobre que ele é bruxo e está estudando em um lugar cheio de gente, de todas as classes. Assim, aproveita-se disso para fazer com que Idá revenda cocaína para seus colegas, sob ameaça de matar sua família.

Com certeza, disso não sairiam coisas boas. Com o tempo, alunos começam a faltar aulas, roubar, apresentando todo tipo de comportamento típico de dependentes. Hugo se vê num dilema que causa tanto medo quanto culpa. Mas, de alguma forma, ele vai ter que se virar e agir para recuperar o estrago que ele próprio desencadeou.

E a arma escarlate? Bom, a arma é sua varinha, totalmente única, pois foi fabricada por azêmolas (trouxas, muggles, no-majs…), uma raridade. Dá pra imaginar que coisas surpreendentes sairão dela, se seu dono souber dominar suas emoções também…

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A história é muito bem construída. Achei também bastante realista. Hugo não é uma pessoa “perfeitinha”, mas um menino de treze anos que já passou por mais situações do que imaginaríamos, fazendo com que ele se tornasse egoísta, ambicioso, com uma vontade única de aprender e com uma dificuldade considerável de confiar nos outros.

Entretanto, a transformação é nítida e a convivência com pessoas diferentes, em um ambiente quase contrário ao que ele está acostumado, fazem com que seu crescimento seja positivo e uma nova pessoa acabe surgindo.

Com a ajuda dos Pixies (Viny, Caimana, Índio e Capí), que o “adotaram”, ele começa a perceber o valor da amizade, mesmo que ainda custe para que ele sinta-se à vontade de ser quem realmente é. E, falando nos Pixies, que grupo apaixonante! Cada um com um jeito, eles formam aquilo que todos gostaríamos de ser (pelo menos, eu): com visão crítica, mas descomplicada da vida, contestadores, cientes da importância do estudo,… e o Capí, principalmente, com sua forma particular de tratar os animais (Capí ♥).

Em contrapartida, Gislene, a única pessoa que Hugo já conhecia, pois também mora no morro, é extremamente chata. Mentira. Ele quem pensa assim, mas ela é uma das minhas preferidas no livro. Bastante equilibrada e realista para o mundo em que vive (sem deixar de ser sonhadora), é ela e Capí quem sempre puxam Hugo de volta ao chão, à razão.

Toda a trama mantém a atenção e faz com que seja fácil se envolver com os que estão descritos ali, além de deixar com vontade de ler mais e mais.

Por sorte, já existe a continuação, “A comissão chapeleira”, pra não deixar com tanta saudade desse mundo de bruxos, elfos, mulas-sem-cabeça, magia e amizade.

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10 comentários sobre “Resenha “A arma escarlate”

  1. Tenho esse livro aqui em casa e eu amei conhecer a autora <3
    Ela é linda e simpática..
    COmece ia ler, mas tive que abandonar, porém pretendo retomar a leitura porque estou amando os personagens rs

  2. Onde eu estava que não conhecia essa obra!? Eu sou fã de harry potter desde pequenininha então, já dá pra imaginar a minha empolgação ao ler uma resenha tão positiva sobre o universo bruxo tão perto de nós <3
    Vou anotar o nome, porque realmente me interessei! Beijos!
    <3
    Colorindo Nuvens

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