Minha coleção de câmeras

A fotografia sempre foi algo pelo qual me interessei. Nunca fiz nada profissionalmente (não que não tenha vontade), mas desde pequena me lembro de ter uma câmera na mão em datas especiais, viagens ou em casa mesmo.

Como tenho dificuldade em me desfazer de certas coisas, resolvi começar uma coleção de câmeras fotográficas, começando com as que eu já tinha. Fora essas, apenas outras duas foram “compradas”, pois a maioria veio chegando a mim de uma forma ou de outra. Hoje, vou mostrar um pouquinho delas (:

Essa foi a minha primeira. Devo ter ganhado quando tinha uns 8 ou 9 anos, mais ou menos. Ela é da marca Sunny (que eu nunca ouvi falar), bem simples e bem “mecânica”, tanto que nem pilha não tinha. Era só encaixar o filme, bater uma foto, girar aquele disco (que tem do lado do adesivo de brigadeiro) pra virar para a próxima pose, bater outra foto, girar,…

No fim, também precisava enrolar o filme todo novamente, tomando muuuito cuidado pra garantir que estava tudo dentro do rolo antes de abrir e mandar revelar.

Nessa imagem, a de trás é a Sunny, que ainda dava pra dar uma choradinha depois que “acabavam” as poses. Tinha vezes que eu comprava um filme com 12, mas ainda conseguia girar e bater uma 13ª foto, ou, pelo menos, metade (só podia ter certeza depois de pegar as fotos, alguns dias depois). Depois dela, tive uma Yashica MG Motor (a do meio), que fazia tudo isso automaticamente e até tinha flash! Não lembro quando a ganhei, mas usei até 2005. A partir disso, meu presente de 15 anos foi a Samsung Digimax 301, minha primeira digital. Ela me rendeu diversas fotos emo!

Cinco anos depois, comprei uma Sony Cyber-Shot DSC-HX1, de superzoom, que foi quando eu comecei a, de fato, me interessar pela fotografia e não apenas por tirar fotos.

Ela acabou ficando com meu pai quando comprei a minha atual. Assim, passamos para a outra “categoria”, que são as câmeras dele, que há alguns meses passaram a fazer parte da minha coleção também.

Aquela primeira é uma Olympus Trip 35, que, pelo que eu vi, foi uma das melhores câmeras compactas lançadas nos anos 60. Temos muitas fotos de viagens, aniversários, zoológicos,… com ela. Mas, pra falar bem a verdade, nem lembrava que ela existia. Tenho na memória que meu pai queria tanto uma Canon que, quando conseguiu comprar, só tinha olhos para ela. E é com essa EOS 5000 que mais lembro dele tirando fotos de tudo. Ela tem funções manuais e eu tenho muita vontade de usar ela qualquer dia (assim que achar onde ainda vende filme… Alguém de Curitiba pode me dar uma dica?).

Em 2014, meu pai comprou a minha Sony, pois ele estava querendo uma mais “moderna” e eu, juntando dinheiro para comprar uma DSLR.

E essas foram as próprias. Agora, vou passar para algumas das adquiridas por conta da coleção.

Que amorzinhos, né?!

A primeira, da esquerda, é uma Unicamatic da Fotobras, fabricada em Curitiba. Foi lançada entre as décadas de 50 e 60. Ganhei de aniversário do meu irmão. Ele também havia me dado, algum tempo antes, a que está na direita, que não faço ideia da marca/modelo, mas o estilo e o material dela é bem semelhante a que está no meio, que eu também não consigo identificar e buscar nada sobre :/

Tenho também uma Pentax Spotmatic F, lançada em 1973, que pertenceu à mãe do meu sobrinho. Acredito que ainda dê pra achar diversos acessórios dela, e, assim como a Canon, também tenho curiosidade em usar.

Já a segunda, Kodak Instamatic X-15, era da minha mãe. Acho ela bem gracinha! Não tem flash embutido, mas existiam flashs descartáveis, em formato cúbico, então cada face tinha uma luz. Você usava uma vez e pronto, já partia para outra.

Tenho essa Tron bv-100, que minha mãe comprou pra mim na feirinha do Largo da Ordem e mais uma Kodak Instamatic 11, presente do meu marido.

Falando em presente de marido, quase esqueço a Polaroid 300. Não considero ela como parte da coleção, pois ainda uso bastante até (tirando o fato de que temos que economizar o filme, né).

E, pra finalizar, a Canon T3i, meu filhotinho, xodó, que só me dá alegrias… em um de seus primeiros cliques:

O que acharam? Quais já conheciam? Se alguém souber mais informações de algumas delas, me contem (;

 

“O mínimo para viver” e a sociedade de extremos

Recentemente, a Netflix lançou o filme “O mínimo para viver” e eu resolvi assistir ontem.

Ele retrata momentos de uma jovem com anorexia nervosa, interpretada por Lily Collins.

Logo ao voltar para casa, sua madrasta a encaminha para um novo tratamento, com um médico bastante famoso, vivido por Keanu Reeves. Isso faz com que Ellen, a personagem principal, fique “internada” numa casa com outras pessoas com distúrbios alimentares, onde passará por terapias e exames periódicos, com o intuito de garantir uma melhora constante.

A princípio, Ellen é resistente e parece ter concordado em ir apenas para não decepcionar, mais uma vez, os outros, em especial, sua irmã, que aparenta ser a única de sua família que procura entender de fato o que está acontecendo com ela.

Assim, é iniciado o tratamento proposto pelo Dr. Beckham, que tem uma visão pouco convencional, mas muito interessante, fazendo com que seus pacientes vejam que as adversidades existem, mas que podemos encontrar valia na vida já nas pequenas coisas.

Lá, é possível também conhecer outros pacientes e perceber que todos estão pelo mesmo objetivo, mas estão em fases diferentes e se comportam de maneiras distintas. Afinal, cada indivíduo possui uma história de vida única, que faz com que não pensem ou ajam de maneira igual.

É uma verdadeira jornada para o autoconhecimento que, para que seja efetiva, não é nada fácil. Ellen, que passa a adotar o nome Eli, precisa não só ver, mas realmente enxergar o que acontece a sua volta e dentro de si mesma. Junto com ela, vemos a interação da família, com um pai ausente (tão ausente que sequer aparece no filme), uma madrasta superprotetora, sua meia irmã, que confessa sentir falta de ter uma irmã de verdade e sua mãe, que não consegue suportar a doença da filha e acaba se afastando (física e psicologicamente) com sua mulher.

Conviver com os outros pacientes também é uma forma de apoio e mútuo entendimento. Há quem coma compulsivamente, quem teve uma recaída tão grave que precisou ser entubada, quem se descobriu grávida e precisa iniciar uma batalha extra não só pela própria vida, mas pela vida que está gerando…

É muito nítido o quanto a situação afeta a todos, de maneiras diferentes. Sendo a família o primeiro sistema de referência de todos nós, não é só Eli que precisa enfrentar seus medos e receios em busca de mudança. E não é só a questão de perder peso por querer emagrecer que está em jogo. É a saúde física e, principalmente, mental que precisa ser recuperada. E isso acontecerá aos poucos e dolorosamente.

Não é um filme leviano. Entretanto, também não procura mostrar a doença de forma pesada e estigmatizada. É possível se ver um pouquinho em cada um dos personagens, fazendo com que seja mais fácil perceber que transtornos alimentares não são tão incomuns e podem acontecer com qualquer um.

Pela primeira vez diretora e roteirista, Marti Noxon (conhecida por produzir Buffy, a Caça-Vampiros), resolveu colocar um pouco de sua vida neste primeiro longa metragem.

“E eu quero que mais pessoas falem sobre como a comida e a imagem corporal afeta homens e mulheres e nos impede de amar o momento em que estamos vivendo”.

Em um mundo em que cada vez mais exalta-se o “ter de mais”, enquanto propõe o “ser de menos”, o filme tenta passar uma ideia do que é viver com uma doença que, quando grave, encaminha-se para uma morte cada vez mais palpável.

Lily Collins, em uma entrevista, comentou que algumas pessoas a elogiaram e questionaram o que estava fazendo para conseguir emagrecer… sendo que estava apenas seguindo uma dieta para poder interpretar uma personagem anoréxica. Não é motivo de elogio e essa magreza não deve ser sinônimo de beleza.

Não existem corpos iguais, então, qual o motivo de buscarmos apenas um ideal de modelo?

Quanto mais perseguimos uma forma única e supostamente “perfeita”, menos temos tempo de nos conhecer. Consequentemente, nunca descobriremos quem somos e o que queremos ser.

Que maneira infeliz de se levar a vida, não?

“O mínimo para viver” traz uma história que pode ser vista como um alerta. Breve, mas que convida a uma reflexão para aqueles que se dispõem a continuar pensando mesmo depois dos créditos terem terminado. Não é uma grande obra prima do cinema, mas com certeza, pode mostrar mais do que é visto nas cenas.

Já tinham assistido? Gostaram?

Dica de aplicativo: Werble

Eis que encontrei um post patrocinado no Instagram e fui conhecer esse aplicativo.

Até que fazia tempo que não baixava nenhum novo, então resolvi experimentar.

O Werble coloca efeitos animados nas fotos, sem abaixar tanto a qualidade (pelo menos, aparentemente, vendo pela tela do celular e tal…). Entretanto, ele tem algumas configurações que melhoram a resolução.

Ele é bem simples de ser utilizado. Quer ver?

Na tela inicial, já tem um feed pra se inspirar. Pressionando o “W” você já pode escolher sua foto, tanto pela galeria ou tirando uma na hora.

Depois de escolher, você vai para a parte em que decide qual animação utilizar. Já existe um pacote inicial, mas você pode fazer download de mais, tanto gratuitos quanto pagos. E tem muuuitas opções! Na dúvida, dá pra apertar o desenho com os dados, que ele coloca um efeito aleatório, dentre os já baixados.

Depois de aplicar, dá pra mover, redimensionar e ajustar do jeito que preferir.

Finalizado, dá pra compartilhar ou salvar no rolo da câmera, escolhendo entre vídeo ou gif.

Resultado:

O maior e mais significativo ponto negativo: US$3,99 pra tirar a marca d’água ): Achei bem caro, comparativamente com os demais aplicativos do gênero. Por enquanto, vai ficar com a marca, mesmo.

Ademais, o Werble traz uma variedade grande de animações, podendo colocar em tudo quanto é tipo de foto. Apesar de pesado (103 MB), o uso dele e das funções não o deixa lento, então, dá pra usar tranquilamente sem se irritar (:

Por enquanto, só está disponível para iOS, mas no site dá pra deixar seu endereço para que seja possível receber e-mail avisando quando sair pro Android.

Alguém já conhecia? Gostam do aplicativo? 

Ausência

Foi um longo período de ausência por aqui.

Em partes, pois estava com preguiça de escrever, ou não tinha ideias, ou quando tinha, achava que que precisava de fotos para acompanhar o assunto e aí a preguiça era de tirar as fotos.

Também estou dividindo meu tempo com artigos quinzenais no portal Sala de Aula Criminal (recomendo!).

Além disso, uma outra ausência influencia na minha.

Meu pai faleceu há cerca de um mês e meio, e ainda me parece muito recente.

As rápidas conversas, as perguntas sobre computador, as vezes em que ele questionava se podia pegar emprestado meu carro, a informação de quem havia ganhado a Fórmula 1… e a foto da Lili, aquela foto da Lili que eu, quase de última hora, lembrei de levar na mochila para que ele pudesse vê-la, pois estava na UTI há um dia e dizia que estava com saudades.

E talvez até ele pudesse imaginar que seria a última vez em que a veria. E a última em que veria a mim também.

Mas não há do que se reclamar. Depois de tudo isso, o que me resta é agradecer.

Agradecer por ter passado tanto tempo ao meu lado, por brigar e me encher o saco, por me dar tantas caronas e me deixar, às vezes, colocar um CD meu pra escutar enquanto viajávamos, por não bancar minha formatura e deixar eu me virar pra conseguir pagar sempre em dia, por se animar a ir almoçar no Bar do Alemão, pela picanha nos meus aniversários, por ser meu cúmplice quando eu queria um cachorro,… enfim, são muitas coisas e, por menores que sejam, sempre terão um espaço especial na minha memória.

Agradecer a tanta gente que apareceu naqueles dias. A todas as mensagens, recados no Facebook, lembrança dos colégios em que ele deu aula, e à presença de cada um, que fez com que eu percebesse que a memória do meu pai vai continuar viva durante um bom tempo ainda.

E agradecer a Deus, por, de alguma forma, me fazer saber que meu pai estava satisfeito com sua vida. E feliz (mesmo que não passasse um dia sem reclamar de algo :D)

Pois essa é a forma mais tranquila de se despedir.

E os momentos alegres sempre vão ficar.

Olhando pra trás pra ver o que eu estava fazendo, enquanto ele caminhava assobiando, numa das últimas vezes em que o convenci a sair de casa e passear no condomínio (:

Tudo o que eu escrevi parece pouco comparado com a vontade de falar e relembrar.

Mas acho que uma boa forma de finalizar é com algumas fotos de flores, que eram um dos tipos de fotografia de que ele mais gostava. E essas eu tirei enquanto saímos para fotografar juntos, uma última vez.

 

 

 

 

 

Resenha “A arma escarlate”

Faz algum tempo que tomei conhecimento sobre esta obra, e, depois de saber um pouco sobre a história, já percebi que iria querer ler.

Entretanto, estava num período de jejum de compras :D ainda estou, na verdade, desde que me toquei da quantidade de livros que eu tenho e ainda não li…

Enfim… No final do ano passado, a Renata Ventura estava fazendo uma ação de venda de “A arma escarlate” e “A comissão chapeleira”, suas obras, em que o lucro seria entregue à UNICEF. Achei uma boa oportunidade para quebrar meu jejum (;

Assim que comecei a ler, já me encantei por se tratar do universo bruxo. E não, não é uma tentativa de “copiar” Harry Potter, justamente pelo fato de ele ser narrado no mesmo universo, mas no Brasil!

“Em uma entrevista com J.K. Rowling (…), um fã norte-americano lhe perguntou se ela algum dia escreveria um livro sobre uma escola de bruxaria nos Estados Unidos. Ela respondeu que não, ‘…mas fique à vontade para escrever o seu.’

Sentindo-me autorizada pela própria Sra. Rowling, resolvi aceitar o desafio: Como seria uma escola de bruxaria no Brasil? Especificamente para este primeiro livro, como seria uma escola de bruxaria no Rio de Janeiro? Certamente não tão completa, nem tão perfeita, quanto uma escola britânica. Talvez ocorressem algumas falcatruas aqui, outras maracutaias ali… certamente trabalhariam nela alguns professores geniais, porém mal pagos.”

(Nota da autora)

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E com essa premissa, conhecemos Idá, ou melhor, Hugo Escarlate, um menino carioca que mora no morro. Vem de família pobre, seu pai o abandonou e mora com a mãe e a avó em um contêiner, moradia supostamente temporária, prometida pela prefeitura.

A princípio, um personagem comum, mas com uma (grande) diferença. Ao contrário de muitos que continuam esperando, Hugo recebeu a carta. Aquela que mudaria sua vida para sempre.

Assim, descobrimos junto com ele como entrar no Corcovado, onde a escola de bruxaria fica. Lá, ele conhece diversos outros alunos e professores, de diferentes estados brasileiros. Alguns se tornam seus amigos; outros, nem tanto.

Distraído com todas as novidades, e, principalmente com a trama entre o Conselho (que tenta controlar tudo de uma forma rigorosa e procura aplicar muitos métodos e disciplinas europeus numa realidade bem diferente da Europa) e os Pixies (grupo de alunos “revolucionários”, que vive a vida escolar de forma a fazer com que os outros repensem suas atitudes e contestem as autoridades, quando necessário), Hugo praticamente se esquece de sua vida na favela.

Mas as férias vieram com tudo para lembrá-lo. Caiçara, agora chefe do tráfico, descobre que ele é bruxo e está estudando em um lugar cheio de gente, de todas as classes. Assim, aproveita-se disso para fazer com que Idá revenda cocaína para seus colegas, sob ameaça de matar sua família.

Com certeza, disso não sairiam coisas boas. Com o tempo, alunos começam a faltar aulas, roubar, apresentando todo tipo de comportamento típico de dependentes. Hugo se vê num dilema que causa tanto medo quanto culpa. Mas, de alguma forma, ele vai ter que se virar e agir para recuperar o estrago que ele próprio desencadeou.

E a arma escarlate? Bom, a arma é sua varinha, totalmente única, pois foi fabricada por azêmolas (trouxas, muggles, no-majs…), uma raridade. Dá pra imaginar que coisas surpreendentes sairão dela, se seu dono souber dominar suas emoções também…

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A história é muito bem construída. Achei também bastante realista. Hugo não é uma pessoa “perfeitinha”, mas um menino de treze anos que já passou por mais situações do que imaginaríamos, fazendo com que ele se tornasse egoísta, ambicioso, com uma vontade única de aprender e com uma dificuldade considerável de confiar nos outros.

Entretanto, a transformação é nítida e a convivência com pessoas diferentes, em um ambiente quase contrário ao que ele está acostumado, fazem com que seu crescimento seja positivo e uma nova pessoa acabe surgindo.

Com a ajuda dos Pixies (Viny, Caimana, Índio e Capí), que o “adotaram”, ele começa a perceber o valor da amizade, mesmo que ainda custe para que ele sinta-se à vontade de ser quem realmente é. E, falando nos Pixies, que grupo apaixonante! Cada um com um jeito, eles formam aquilo que todos gostaríamos de ser (pelo menos, eu): com visão crítica, mas descomplicada da vida, contestadores, cientes da importância do estudo,… e o Capí, principalmente, com sua forma particular de tratar os animais (Capí ♥).

Em contrapartida, Gislene, a única pessoa que Hugo já conhecia, pois também mora no morro, é extremamente chata. Mentira. Ele quem pensa assim, mas ela é uma das minhas preferidas no livro. Bastante equilibrada e realista para o mundo em que vive (sem deixar de ser sonhadora), é ela e Capí quem sempre puxam Hugo de volta ao chão, à razão.

Toda a trama mantém a atenção e faz com que seja fácil se envolver com os que estão descritos ali, além de deixar com vontade de ler mais e mais.

Por sorte, já existe a continuação, “A comissão chapeleira”, pra não deixar com tanta saudade desse mundo de bruxos, elfos, mulas-sem-cabeça, magia e amizade.

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